quinta-feira, 30 de outubro de 2014



Seja qual for a cultura, seja qual for o país, todos eles partilham, no seu fascínio pelo oculto, da existência de casas assombradas por espíritos que já partiram deste plano terreno de existência. O termo “casa assombrada” não é exactamente o mais correcto. Local é, contudo, o mais adequado. 
 
Ora, é partindo desta premissa que, a poucos dias da celebração de mais um Halloween, vos pretendo mostrar, caros leitores, em como esta temática das assombrações influenciou o mundo dos jogos de vídeo. 


 



 A primeira incursão na cena das casas-fantasma, ocorreu no distante ano de 1972. Inserido num mash-up de jogos, Haunted House, veio com aquela que é considerada como a primeria consola doméstica, a MagnaVox Odyssey. 
Com personagens que não eram mais que dots luminosos e sem gráficos propriamente ditos, Haunted House era uma aventura na qual um detective tentava resolver um crime, evitando, simultaneamente, o fantasma que habitava o local. 
A característica mais interessante do título em si, e que era compartilhada pelos restantes jogos da consola, era o facto de os tais “gráficos” não serem mais que um mero plástico desenhado que se colocava no visor do televisor. 


 



 1982 trouxe-nos outro jogo intitulado Haunted House. Este era um stand alone, ao contrário do anterior e possuia gráficos, embora rudimentares. 
Lançado para a Atari 2600, consistia em tentar escapar da casa, propriamente dita, com a urna do Sr. Graves. Para isso, o jogador deve evitar, nos três cenários disponiveis, ser tocado pela tarântula, pelo morcego ou pelo espírito do próprio Sr. Graves.
 Ao fim de nove toques, o jogo terminaria. 


 




Mais elaborado, seria Ghost House, desenvolvido pela Sega em 1986, para a sua consola 8 Bits, a Master System. 
Parcialmente baseado em um éxito das arcades de 82, Monster Bash, este jogo conta a história do jovem Mick enquanto tentava derrotar cinco “Dráculas” (este é o nome que o manual dá aos vampiros). 
Cada nível tem, para além do inimigo vampiresco, inúmeros objectos inanimados que voam para acabarem com a vida da nossa personagem. Embora não muito memorável, este título foi um dos poucos a serem lançados na forma de Sega Cards (embora, mais tarde, fossem transportados para formato cartucho).



 


 Para a Famicon chegaria, em 1989, pelas mãos da Capcom, aquele que é considerado com o primeiro Survival Horror, o percursor de Resident Evil, Sweet Home.
Baseado em um filme nipónico com o mesmo nome, Sweet Home permitia-nos jogar, ao mesmo tempo, com diferentes personagens, ao estilo RPG, que estavam unidas por um objectivo comum, a fuga de uma mansão assombrada por todo o tipo de criaturas paranormais. O jogo, agora de culto, permaneceu desconhecido do público ocidental durante anos e só recentemente foi tornado disponível através da tradução levada a cabo por alguns entusiastas do género.


 


 Em 1993, a Konami lançou Zombies ate my Neighbors. Este título multiplataforma é uma ode aos filmes de horror dos anos 50 e 60. Como tal, a presença da tal casa assombrada faz-se sentir, via algo maior...um castelo. 
É lá que teremos o showdown final com o cientista louco, responsável pela libertação das criaturas sobre a populaça.

 

 



 Em 2002, na Gamecube, seria a Nintendo a lançar o seu próprio take no tema, que já havia explorado ao de leve.
 Colocando o protagonismo no medroso Luigi e tirando inspiração em filmes como Ghostbusters, a Nintendo vai desenvolver Luigi's Mansion. 
Um jogo que consistia em colocar o canalizador verde a capturar fantasmas com o seu Poltergeist 3000. Tal foi o sucesso do título que, em 2013, ganharia, finalmente, uma sequela.
 Dark Moon seria lançado para a 3DS, conseguindo muito boas reviews pelo caminho.


 






Com o passar dos anos a ideia de casa assombrada seria explorada em muitos outros jogos e serviria de temática principal em muitos deles. Super Mario World trairia as ditas casas para o universo do canalizador, com os seus hilariantes e assustadiços Boos e Big Boos, que já tinham feito uma aparição nas fortalezas de Super Mario Bros 3.
 Resident Evil explora a ideia de uma mansão repleta de segredos e criaturas sobrenaturais, nos títulos iniciais da série, 0 e 1. 
Séries como Splatterhouse, Castlevania, Alone in the Dark, Ghostbusters, Clock Tower ou Fatal Frame jogam com essa ideia também, de uma maneira ou de outra.
Quer seja castelo, quer sejam vampiros, fantasmas ou demónios, existe sempre algo de sobrenatural para lutar e tentar fugir de...


Escrito por Ivo Silva

Posted on quinta-feira, outubro 30, 2014 by Ivo Silva

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

 



Lembram-se da série televisiva dos anos 90, “Buffy, The Vampire Slayer”, que contava as aventuras de uma bela e jovem caçadora de seres sobrenaturais?
 Se sim e se gostavam dessa mesma série, aconselho-vos a leitura de algo que aborda o mesmo tema. 
Escrita por Dan Abnett e Andy Lanning, ilustrada por Michael Lopez e finalizada por Scott Hanna, “Bloodstone é uma mini-série de quatro números, lançada em Dezembro de 2001, pela Marvel Comics, que conta as aventuras e desventuras de Elsa Bloodstone. 


 



 Esta jovem heroína loira, muito deve a Buffy, com a sua atitude “kicking ass and taking names”. 
Por outro lado, também vemos nela vestígios de Lara Croft, a mulher forte dos jogos na época, na sua faceta de exploradora do desconhecido. 
Mas deixemos as comparações de lado e falemos acerca da plot. 
Elsa acaba de fazer 18 anos quando a mãe, a leva para conhecer o pai.
 Este, que possui uma sumptuosa, embora extremamente sombria mansão, é revelado ser, na verdade, o maior caçador de monstros da história, Ulysses Bloodstone.
 Descobrindo que o pai faleceu, Elsa recebe, como parte da herança, não apenas a mansão, mas também a joia de onde provem o seu nome e que concedia ao pai longevidade e força acima do normal. 


 



 Entusiasmada, a jovem tornar-se-á em uma caçadora, sob a supervisão do mordomo e leal servo do pai, Adam.  
A sua primeira missão é deveras perigosa e coloca-a em rota de colisão com uma perigosa corja de vampiros, com planos de dominação global. 
 Liderados por Nosferatu, a seita rapta o advogado da família, e namorado da mãe, o também vampiresco (mas amigável) Charles Barnabus.
 O objectivo é usar o sangue de outros vampiros para fortalecer o seu. 
  No “cast” de ajudantes de Elsa estão o mordomo Adam, na verdade o Monstro de Frankenstein, um relutante Conde Drácula, N'Kantu, “The Living Mummy” e um Génio preso numa lamparina (que serve de transporte). 
Para além de vampiros, Elsa confronta múmias malignas a tentarem dominar o Egipto e uma criatura que mais parece ter sido retirada do filme “Aliens”. 

  
Esta mini esta carregada de acção e fan-service, não apenas para os adoradores de filmes de horror e de aventura, mas também para os fãs de jovens bem torneadas e atraentes. Com muita comédia à mistura, “Bloodstone” é uma comic com tom leve, pouco sério e rápida, mas boa de ler.

Qual é a vossa opinião?


Escrito por Ivo Silva

Posted on segunda-feira, outubro 27, 2014 by Ivo Silva

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domingo, 26 de outubro de 2014

Nada melhor para entrar no espírito do Dia das Bruxas, do que um fantástico desenho do jogo "Super Ghouls'n Ghosts" para a SNES. Aqui podemos observar o herói, Arthur, a usar a espada para se livrar da ameaça que lhe surge na forma de um zombie. Demónios,Lobisomens  e outras criaturas colocam-se no caminho do nobre cavaleiro.
Desenho por Joel Chan
Consulte a sua galeria em: http://www.deviantart.com/art/Super-Ghouls-n-Ghosts-489053714



Posted on domingo, outubro 26, 2014 by Ivo Silva

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014




Como já fiz em um texto anterior, irei falar-vos acerca de um episódio, ou neste caso, conjunto de episódios da afamada série de anime “Dragon Ball”. Após ter vencido o infame Red Ribbon Army, a Son Goku faltava-lhe encontrar, ainda, a última das Bolas de Cristal. 
Com elas o jovem praticante de artes-marciais pretendia ressuscitar um amigo que havia caído às mãos do letal General Tao. 
Com o radar aparentemente inoperacional, Goku irá recorrer a uma velha vidente que era, nada mais, nada menos, que a irmã do Master Roshi.
 A bruxa Baba é uma pessoa bastante desagradável que resolve brincar um pouco com Goku e os seus companheiros, em vez de aceder ao seu pedido. 




Fâ-lo ao organizar um mini-torneio entre os seus cinco guerreiros e o grupo de Goku. Este conjunto de lutadores tem a particulariedade de ter um vampiro, um homem invisível, uma múmia, um demónio e uma espécie de “anjo” nas suas fileiras. 
Uma verdadeira amostra de monstros clássicos e de diversidae, não haja dúvida. 
Krillin é o primeiro a lutar e a sucumbir perante uma mordida no caruto, dada pelo ensandecido vampiro.
 Puar e Upa vencem o vampiro, mas deixam a luta seguinte a cargo do experiente Yamcha. O antigo ladrão derrota o homem invisível, antes de ser abatido pela Múmia. 
Com três adversários ainda pela frente coube a Goku defrontá-los. O jovem herói venceu-os, com maior ou menos dificuldade, com a particularidade do último, e mais difícil, ser o seu falecido avô (que abdica o combate ao ver o quanto o neto progrediu, nas artes marciais). 



Um dos aspectos mais curiosos destes episódios é a luta de Goku com Spike The Devil Man. Este possuia um raio capaz de aniquilar qualquer adversário, ao fazer o mal dentro deste crescer e literalmente rebentar. 
Ora que ele, apesar dos apelos de Roshi e Baba, o usa contra o jovem. Para sua surpresa, Goku permanece inalterado, pois nele não existe nada a não ser o mais puro dos corações.

Começando no episódio 68, a “Fortuneteller Baba Saga” é uma história hilariante, muito descontraída e boa de se ver. Aconselhável, sobretudo, a fãs de torneios de artes-marciais e a entusiastas de monstros de horror.



Escrito por Ivo Silva
 

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014




 O estúdio japonês de jogos, Konami, foi buscar inspiração, simultaneamente, na figura histórica de Vlad Tepes e na personagem do conto de Bram Stoker, para criar a sua própria versão do Conde vampiro mais famoso de todos os tempos, Drácula. 
Este surge-nos como o principal antagonista da série de jogos de acção/plataformas conhecida como “Castlevania”. Aparecendo pela primeira vez no jogo de 1986, intitulado, simplesmente, de “Castlevania”, para a NES, este vampiresco Conde romeno mostrou-se imparável. 
Do interior do seu sombrio castelo, Drácula, para além dos assombrosos poderes à sua disposição, contava, ainda, com o controlo sobre uma legião de monstros. Lobisomens, fantasmas, vampiros, múmias e até a própria Morte, entre outros, obedecem ao seu chamado. 


 

 O passado de Drácula seria revelado no jogo para a PS2, “Castlevania – Lament of Innocence”. 
O seu verdadeiro nome é Mathias Cronqvist. Nascido em 1062, Mathias foi um distinto cavaleiro que serviu na companhia do Barão Leon Belmont, nas Cruzadas. 
Após inúmeras batalhas, Mathias regressa a casa, apenas para encontrar a mulher, Elisabetha, morta. Amaldiçoando Deus pela sua incapacidade em manter a esposa viva, enquanto luta em seu nome, Mathias irá adquirir uma relíquia, a Crimson Stone, que lhe concederá imortalidade.
 Mathias usurpa a posição do Lord vampiro, Valter, e torna-se no novo senhor das trevas, Drácula, afrontando o Deus criador, com a sua existência.
 Desde esse dia, o vampiro encontrará a oposição de um clã de guerreiros, os Belmont, sendo que o primeiro deles seria o seu antigo companheiro de armas, Leon Belmont. Será a 11 de Agosto de 1999, que estes últimos irão lograr, finalmente, destruí-lo de vez. Julius Belmont será o autor de tamanha façanha. 



 Drácula teve, ainda um filho, Adrian, de um fugaz relacionamento com uma humana de nome, Lisa. Adrian, que é parcialmente vampiro, mudou o nome para Alucard, declarando-se a antítese do pai, que considera (e não erróneamente) a fonte de todo o mal.

 

 Em 2010, a Konami lança “Lords of Shadow”, que irá alterar a origem do Conde. Neste “reboot” Drácula é um Belmont de nome Gabriel, também ele um guerreiro de Deus amargurado com o falecimento da esposa. 
Isto irá aumentar, ainda mais, os laços do vampiro com a família de caçadores que o persegue. 
Aqui, Alucard é, também ele, um Belmont transformado em vampiro pelo próprio pai. 

 











A aparência do vampiro variou muito ao longo dos tempos e de jogo para jogo. Drácula já chegou a surgir como um velho encarquilhado, como um esqueleto descarnado ou como um aristocrata à lá Bela Lugosi.
De igual modo, o Conde serviu de Boss final em todos os jogos menos em 4: o já referido “Lament of Innocence” , em “Aria of Sorrow” e “Dawn of Sorrow”, onde a sua presença se faz sentir através da sua reencarnação, Soma Cruz e no reboot de 2010, “Lords of Shadow”.





 O vampiro supremo é personagem jogável no jogo de luta da Wii, “Castlevania – Judgement”, no humorístico jogo de karts para a GBA, “ Konami Krazy Racers” e em versão chibi no título do GB, “Kid Dracula”.
Múltiplas são as versões, mas constante é o perigo que Drácula representa. 

Escrito por Ivo Silva 
 

Posted on quinta-feira, outubro 23, 2014 by Ivo Silva

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terça-feira, 21 de outubro de 2014






O Uivo do Man-Wolf

John Jamseson III é o filho do famoso editor do Daily Buggle, JJJ. Criado por Stan Lee e Steve Ditko, o astronauta teve a vida salva por Spider-Man, em “The Amazing Spider-Man” nrº 1, de 1963. Esta foi a sua primeira aparição. O Coronel irá destacar-se do pai, uma vez que, admira a “ameaça” aracnídea. Talvez tal se deva ao facto de Spider-Man lhe ter salvo a vida, novamente, esta feita das mãos do Rhino. Contudo, e apesar de ser um tipo às direitas, John, um antigo astronauta da Nasa, em uma das suas missões traria consigo da Lua, uma misteriosa pedra que o tornaria num feroz rival para Peter Parker. A Moonstone, que ficaria alujada na garganta de John irá transformá-lo numa espécie de lobisomem esbranquiçado e absolutamente letal. Apelidado de Man-Wolf pelos jornais (e pelo próprio pai), Jameson terá os seus primeiros confrontos com o aranhiço nos números 124 a 126 de “The Amazing Spider-Man”.































 Peter venceria, a custo, após retirar a gema do pescoço de John. Isso faria com que o astronauta recupera-se a forma humana. Contudo, Man-Wolf e a gema seriam restaurados, pouco depois, por Morbius, que procurava ter em John um servo para o auxiliar nos seus planos (“Giant Sized Superheroes” nrº 1). A carreira de John como Man-Wolf levá-lo-ia a múltiplos encontros não apenas com Spider-Man, mas também, com a She-Hulk e Hellcat. Após ter colocado a vida do pai em perigo, John entrega-se à custódia da Shield, mas em vez de o prender ou mesmo tentar curar, Fury usa Jameson em uma perigosa missão espacial. Será aí, nas páginas de “Creatures on The Loose” nrº 36, de 1975, que John encontrará misteriosos guerreiros espaciais. Estes, por sua vez, irão conduzir Jameson a uma nova dimensão, onde, capaz de controlar os seus poderes lupinos, o Man-Wolf irá descobrir a origem da gema e “evoluirá” de uma selvática criatura para um nobre herói, Stargod, em “Marvel Premiere” nrº 45. 



























Eventualmente, John regressará à Terra e ocupará o lugar de piloto oficial de Captain America e esposo de Jennifer Walters, a She-Hulk. Ambas as situações acabam em desastre e John, volta e meia, cede à pressão e volta a transformar-se em Man-Wolf, “o lobisomem do espaço sideral”. Curado inúmeras vezes, Jameson acabaria por, volta e meia regressar ao seu estado lupino... O uivo do lobo continua.


Escrito por Ivo Silva



Posted on terça-feira, outubro 21, 2014 by Ivo Silva

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sábado, 18 de outubro de 2014




Nos anos 60, o estúdio britânico conhecido como Hammer Film Productions pegou nos clássicos do horror, que haviam sido tão bem explorados pela Universal, nos anos 30, e resolveu dar-lhes um twist.
 Uma das suas primeiras escolhas, para além do vastamente conhecido Drácula, foi baseada no livro de Robert Louis Stevenson, “Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde”, de 1886. 
The Two Faces of Dr. Jekyll” foi escrito por Wolf Mankowitz e dirigido por Terence Fisher.
 A história não é 100% fiel ao conto, mas mais uma adaptação livre e particularmente crítica quanto à moralidade da sociedade da época. 



















Tanto Jekyll como Hyde são interpretados por Paul Massie. 
Este oferece uma sólida representação de dois indivíduos que, embora sejam o mesmo, são polos opostos no que à personalidade diz respeito. Jekyll é apresentado como o homem comum da época vitoriana. Cândido, estoico e sobretudo “castrado” emocionalmente.
 Tão despegado e banal é o cientista que não é de admirar que a esposa, Kitty, interpretada pela belíssima actriz Dawn Addams, se aborreça com a sua mera presença. 
Tentando descobrir os segredos que a mente humana esconde, Jekyll é um homem totalmente absorvido pelo trabalho e acaba por negligenciar a esposa, que encontrará o amor que procura nos braços de Paul Allen. Paul é o contraponto de Jekyll. 
Embora sejam amigos, Allen é o típico homem sem escrúpulos , sem moral, que vive de favores de outros.

















 Este estereótipo de “homem perigoso” é interpretado pelo inigualável Christopher Lee, e funciona como a antítese de Jekyll. 
Uma verdadeira chama que atrai Kitty a si. 
Perante este cenário, o bom Doutor decide, contra as regras do bom senso, ingerir uma fórmula experimental que andava a desenvolver. O resultado é uma transformação física e psicológica. Nasce Hyde.
 Este “novo homem”, contrariamente a outras representações, não é um monstro inumano, de aparência grotesca e força brutal, mas antes uma pessoa bem parecida e elegante. Alguém que se destaca numa multidão.
 Hyde é tudo o que Jekyll não consegue ser e, como Allen, é um homem de vícios e manhas. 
O “monstro” que nos é aqui mostrado não é tanto isso, mas antes uma representação negra do lado oculto e perverso e uma sociedade que todos negam e desejam esconder. 
Sendo a mesma pessoa, não chega a existir um embate físico entre Jekyll e Hyde, mas há um embate psicológico.
 Existe uma cena na qual a alternância de personalidades é tão bem conseguida que as pessoas em volta de Hyde são levadas a questionar acerca da sanidade deste. 

















A nível o cenário, fotografia e banda sonora vê-se bem a marca do estúdio que esteve por detrás deste filme. Podem faltar os castelos e as neblinas, mas o suspense continua lá. A beleza de uma Inglaterra próspera e luxuriante está bem patente. 
Two Faces”, embora não seja um dos melhores da Hammer, e possa até estar um pouco datado, é original na forma como expõe o conto e consegue inovar, sem desvirtuar. 
A jeito de mera curiosidade, este filme é chamado de “House of Fright” e “Jekyll's Inferno” nos EUA.


Escrito por Ivo Silva


Posted on sábado, outubro 18, 2014 by Ivo Silva

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014









Presos em casa...



Corria o ano de 2005 quando, por intermédio da Team Silent, a Konami lançou mais um título da sua aclamada série de survival horror, Silent Hill. Este novo jogo, apelidado de “The Room”, não se limitou a ser o somente o quarto capítulo, mas antes tentou enveredar por novos, e por vezes tortuosos caminhos, modificando uma fórmula ganhadora, mas condenada, como tudo na vida, ao desgaste pelo seu constante uso. Lançado para a PS2, X-Box e PC, Silent Hill 4 mostrou-se desde já distinto pela história. O jogo, ao contrário o que seria sugerido pelo título, não se passa em Silent Hill. Antes, a localização escolhida é a da diminuta cidade de South Ashfield. No entanto, e para não fugir à regra, a história foge para o sinistro e perturbador. 
























O protagonista é um jovem, de nome Henry, que sem saber como se vê preso no interior do seu próprio apartamento. Correntes dispostas na porta e janelas bem fechadas impedem não apenas a sua fuga, mas também, qualquer contacto com o exterior. Com a excepcção do rádio, que volta e meia falha e do olho de boi, Henry não tem forma de saber nada do que se passa para lá da sua habitação. Eis que, após um forte barulho, surge um colossal buraco na parede da casa de banho...Henry decide, sem nada a perder, explorar. Será através desse mesmíssimo buraco que o jovem irá parar ás mais diferentes zonas de South Ashfield. Lá terá que desvendar o motivo do seu aprisionamento e, à falta de melhores palavras, sobreviver. 






















Pelo caminho, Henry irá contar com a ajuda de outras pessoas, com destaque para a sua inocente vizinha, Eileen Gavin. A rapariga contará com um papel semelhante ao da filha do Presidente no jogo concorrente, Resident Evil 4. Todavia, creio que Eileen (que não pode morrer, mas cujo dano, quanto maior for, irá influenciar o final do jogo) é muito mais útil, no confronto com as criaturas que nos atacarão no decurso do jogo. SH4 dá uma maior ênfase na combatividade da personagem principal. Henry está munido de um “Charge attack” que irá tirar mais energia o que um ataque normal. Á sua disposição estarão, também, um largo arsenal de armas. Temos o já tradicional cano de ferro e a pistola. De salientar que o primeiro é, de longe, a arma mais útil que teremos para lidarmos com grande parte da nossa oposição.













SH4 tem uns novos inimigos, para além das criaturas tradicionais. Ora são, precisamente os novos tipos de inimigos que se tornaram no nosso maior empecilho. Ao contrário dos outros jogos da série até aqui, SH4 gira em torno de fantasmas. Estes podem surgir em qualquer lado, a qualquer altura e , a mera presença provoca-nos dano. Estes seres não se limitam a South Ashfield, mas fazem-se sentir dentro do próprio apartamento (o exorcismo dos fantasmas presentes em casa constitui outro dos pontos fundamentais para sabermos qual o fim que nos será atribuído, aquando da conclusão do jogo). Quando a fuga falha, o melhor que teremos a fazer é usarmos os 4 novos itens. O medalhão afasta os espíritos, no entanto, irá quebrar com o uso. A vela, uma vez acesa, exorciza-os e a espada prende-os. (a última até pode ser reutilizada, mas implicaria soltar o inimigo preso, para isso) 






Por último, temos uma arma, com duas balas espirituais, que aniquilam, completamente, qualquer fantasma que se cruze no nosso caminho. Henry, contudo, terá que optar bem pelo equipamento que deseja levar consigo. Para além das armas, Henry terá kits de primeiros socorros que irão restaurar qualquer energia que ele tenha perdido. O espaço para guardar esses itens é curto, pelo que o baú, existente no apartamento, será bastante útil para guardarmos o excedente. Junto ao baú teremos o diário de Henry no qual se irá fazer, maioritariamente, o save do jogo. A acção gira, portanto, e como já se devem ter apercebido, entre o apartamento e as diferentes localizações da cidade. 





Essa mesma acção passa, nesses momentos de transição, de uma perspectiva de primeira pessoa para terceira e vice-versa. Isto, juntamente com os já referidos fantasmas, traz ao jogo uma originalidade e uma frescura que já se notava correr riscos de faltar, na série. Graficamente, SH4 mantém a atmosfera pesada e distorcida, alimentada por uma banda sonora (ou por vezes ausência dela), que ajudam a criar um clima de tensão e desassossego do qual os survival horrors vivem. Todavia, nem tudo são rosas. O jogo peca por ter tido a componente puzzle basicamente eliminada. Os puzzles existentes são escassos e demasiado óbvios para o jogador. 





















Por sua vez, a temática fantasmagórica, a própria ideia do quarto, de tão diferente que era, afastou inúmeros aficionados da série e levou a Konami a tentar restaurar o status quo daqui em diante. Como Castlevania 2 ou The Adventure of Link, antes dele, também Silent Hill 4 foi arrasado pelos fãs devido ao distanciamento que provocou em relação à mecânica original. A meu ver Silent Hill 4 está longe de ser um jogo perfeito ou até o melhor da série, mas tem os seus méritos e visto de uma perspectiva “stand alone” constituirá uma excelente experiência para fãs do género.

 Escrito por Ivo Silva

Posted on quinta-feira, outubro 16, 2014 by Ivo Silva

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