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sábado, 22 de fevereiro de 2014



Prólogo :


O Sol nasce, brilhante, sobre a bela cidade-estado da Akaneia. Situada na encosta litoral da península balcânica, na área conhecida como Grécia, a cidade é banhada pelas límpidas águas do mar Egeu. Bem conhecida no restante mundo ocidental por, não só, ser um intenso posto comercial, mas também pelas suas exuberantes festas dedicadas à deusa padroeira da cidade, Afrodite. Os seus cidadãos à muito que desconhecem o significado da palavra pobreza ou infelicidade. A aliança de Akaneia às grandes potências helénicas, Esparta e Atenas, assim como os inúmeros tratados comerciais assinados com o gigantesco império Persa, conferiram-lhe um estatuto de neutralidade e segurança que não é disfrutado por mais nenhum local nas redondezas. Hoje, todavia, Akaneia acordou ansiosa, pois este não é um dia como qualquer outro. Este é o dia do nascimento de mais um rebento na família-real. Reina, entre os cidadãos da cidade, muita espectativa de se saber se será, desta feita, que se assistirá ao nascimento de um príncipe.  No palácio real, pintado em tons de amarelo dourado e branco angelical, bem longe da àgora ( praça pública ), o rei da Akaneia, Argonem, caminha, impacientemente, de um lado para o outro. Aguarda por notícias acerca do parto da sua mulher, Helina. Não é a primeira vez que passa pela experiência de ser pai, pois já tem duas belas filhas, mas para Argonem, este é sempre um momento enervante. O facto de estar colocado numa situação em que nada pode fazer, deixa-o desorientado.  – Espero que seja um rapaz. – pensa para si mesmo. – Assim já terei a quem legar o meu trono. Poderei morrer descansado, sabendo que Akaneia será governada por alguém do meu sangue. 



Escrito por Ivo Silva


Posted on sábado, fevereiro 22, 2014 by Ivo Silva

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quinta-feira, 18 de abril de 2013





Chove, copiosamente, sobre a estrada que conduz ao Reino da Lícia. Sobre as suas poças lamacentas caminha um jovem pesaroso. Pela sua mente vagueiam inúmeros pensamentos desagradáveis. O seu pensamento foca-se nos eventos que o trouxeram a este local. Anteriormente conhecido como Hipponnous, filho de Glaucus, perdeu o direito a ter esse nome quando, acidentalmente, empurrou um homem chamado Belero para a sua morte na cidade vizinha de Corinto. A partir desse fatídico dia passaria a ser conhecido, somente, como Belerofonte (que em grego significa “assassino de Belero”). Belerofonte foi forçado a abandonar a cidade de Corinto, onde nascera, para se salvar de uma execução que, embora fosse injusta, sabia ser certa. 
O corintiano pediu refúgio ao Rei Preto, o governante de Tirinte. Sabia, que, na qualidade de peregrino em busca de santuário, estaria a salvo da ameaça de morte que recaía sobre ele. No entanto, quis a má fortuna, de novo, o atingir. A Rainha Estebeneia, mulher de Preto, tentou seduzir Belerofonte pois estava perdida numa paixão insana que a assolou. Este recusou os avanços da monarca, não apenas por não se encontrar apaixonado por esta, mas também por ser um convidado na corte de Tirinte. A Rainha, todavia, não encarou tal rejeição de ânimo leve, muito pelo contrário. Decidiu, portanto, vingar-se daquele que com ela se recusara a partilhar o leito real. Correndo para os braços do seu marido, Estebeneia, de face tristonha e cabeça baixa, afirmou que Belerofonte a tentara violar. Belerofonte não acreditava no que lhe estava a acontecer. Novamente era acusado e desta vez por algo que nem sequer fizera. Novamente era julgado, de forma precipitada e condenado. De nada lhe valeram as súplicas. 
- Meu bom Rei de Tirinte, julgais que tentei seduzir vossa mulher, mas enganai-vos. Não seria capaz de tal acto. Haveis-me dado refúgio em vossa casa, como poderia ser eu capaz disso? – disse Belerofonte com uma voz segura de quem sabia estar inocente.
Contudo, tal apelo apenas teve o dom de enfurecer ainda mais o Rei. 
- Não só abusaste da minha hospitalidade e da minha mulher, como ainda insultas a minha inteligência com tais argumentos venenosos. Para as masmorras contigo. - Gritou o exaltado monarca.  
Dois guardas entraram, de imediato, na corte real e agarrando Belerofonte pelos braços, arrastaram-no para uma cela suja, repleta de musgo e excrementos. O corintiano pensou para si mesmo que agora seria, de facto, o fim. Estava condenado. Seria executado como um violador. Não havia fuga possível. Com estes pensamentos pessimistas, o jovem deixou-se adormecer num sono intranquilo. No dia seguinte, é desperto por água gelada que, um dos guardas atirou sem piedade para a sua face. O seu corpo está dorido, fruto de uma noite mal dormida. Mal se consegue levantar de tão enfraquecido que está. Na sua mente paira, agora, a imagem da forca. A morte o espera, não tem dúvidas disso. 

Para ver mais trabalhos originais feitos por Ivo Silva, visitem a página http://mechasoldier84.deviantart.com/

Posted on quinta-feira, abril 18, 2013 by Ivo Silva

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